A maioria dos livros contará a mesma história sobre pontos críticos. Eles começam incrivelmente quentes e depois esfriam lentamente à medida que a placa tectônica se afasta. É uma narrativa organizada e lógica.
Mas os dados da Placa do Pacífico dizem o contrário.
O hotspot havaiano não está esfriando. Está esquentando.
De acordo com uma nova investigação da Universidade do Havai em Mónoa, a pluma do manto que alimenta estes vulcões aqueceu cerca de 250°C (cerca de 480°F) ao longo dos últimos 47 milhões de anos. Esta não é uma ligeira flutuação. É uma reversão significativa de uma teoria geológica de longa data.
As descobertas, publicadas na Earth and Planetary Science Letters, sugerem que dois períodos específicos de calor extremo são diretamente responsáveis pela criação dos enormes vulcões-escudo que definem a cadeia.
Como o hotspot havaiano desafiou as expectativas geológicas
A trilha é fácil de ver. Um trecho de 3.500 km de montanhas e ilhas submarinas marca onde a placa do Pacífico se arrastou sobre uma coluna estacionária de rocha quente.
Mas o volume de lava? Isso é confuso.
Existem 65 vulcões ao longo da cordilheira havaiana. Seus tamanhos variam muito. Alguns são pequenas manchas no fundo do mar. Outros, como Mauna Kea ou o extinto P�h�honu, são gigantes. A diferença na lava produzida é cerca de 100 vezes.
Durante anos, os cientistas tentaram descobrir o porquê. A Placa do Pacífico acelerou? A crosta estava mais fina em alguns pontos? A fonte de magma mudou?
Michael Garcia, professor emérito da Escola de Ciências Oceânicas e da Terra da UH Mónoa, liderou uma equipe para testar essas ideias. Eles observaram basaltos de olivina de 19 vulcões diferentes.
Eles descartaram a espessura da crosta.
Eles descartaram a velocidade da placa.
Eles descartaram as diferenças nas fontes de magma.
“Foi uma grande surpresa descobrir uma ligação tão direta entre as temperaturas do manto e o tamanho do vulcão”, disse Garcia. As outras teorias simplesmente não se ajustavam aos números. O calor sim.
Por que alguns vulcões havaianos são gigantes: a evidência da onda de calor
Então, se o calor é o condutor, como será a linha do tempo?
A equipe construiu uma nova ferramenta. Um geotermômetro. Funciona analisando as impressões digitais químicas nos cristais de olivina para estimar exatamente quão quente estava a lava quando derreteu nas profundezas do manto.
Eles combinaram esses dados de temperatura com medições atualizadas do tamanho dos vulcões obtidas em pesquisas do fundo do oceano.
O resultado foi claro. A pluma não estava apenas quente. Teve dois picos distintos de intensidade.
- Primeira onda (14–20 milhões de anos atrás): Esta explosão de calor criou P�h�honu. É o maior e mais longevo vulcão em escudo da cadeia nos últimos 60 milhões de anos.
- Segunda onda (0–6 milhões de anos atrás): Esta onda de calor mais recente construiu as principais ilhas havaianas que vemos hoje.
Esses surtos interromperam uma tendência geral de aumento das temperaturas. O calor da linha de base tem aumentado, mas esses picos construíram os gigantes.
“O desenvolvimento do novo geotermômetro nos ajuda a compreender a história dos vulcões”, observou Garcia. “Especificamente, por que alguns são enormes enquanto outros permanecem pequenos.”
O que faz com que a pluma do manto aqueça com o tempo
Se o hotspot está ficando mais quente, o que o alimenta?
Os pesquisadores apontam para o manto mais inferior. Material denso e quente está se movendo para lá. Este movimento provavelmente impulsiona o aquecimento secular observado ao longo de 47 milhões de anos.
Isso muda a forma como vemos o ciclo de vida de um hotspot. Não é uma brasa morrendo. É uma fornalha que pode estar aumentando o controle.
As implicações vão além do Havaí. Se o modelo primário para hotspots – arranque a quente, arrefecimento lento – estiver errado, precisamos de reavaliar como outras cadeias vulcânicas se formaram.
Os dados não mentem. A temperatura subiu. Os vulcões cresceram enormes. A teoria tem que mudar.
Talvez ainda não conheçamos todo o mecanismo desse movimento do manto inferior. O calor continua. A placa continua se movendo.
E a história ainda está sendo escrita na lava.




















