A imprensa não notou Marilyn Monroe apenas durante a produção de Niagara. Eles já estavam caçando seu arquétipo.
Os repórteres começaram a arrastar Jean Harlow. A loira platinada da era da Depressão. A bomba original. Depois que o filme chegou aos cinemas, os paralelos não foram apenas sugeridos. Eles foram martelados para casa.
Erskine Johnson escreveu para o New York World Telegram & Sun. Sua manchete era contundente: “Mallyn herda o manto de Harlow”. Ele observou que Hollywood gastou 14 anos, dezenas de testes de tela e milhões de dólares apenas para encontrar alguém que pudesse substituir Harlow. Marilyn foi essa sucessora.
O Paralelo Harlow-Monroe
Eles compartilhavam mais do que apenas a cor do cabelo. Ambos projetaram um tipo específico de sexualidade na tela. Foi saudável. Não é vulgar. Não artificial. As máquinas de publicidade do estúdio trabalharam horas extras para destacar isso. Eles alimentaram o público com rumores tentadores. “Ela dorme nua.” “Ela adora champanhe.”
As biografias também se alinharam. Ambos se casaram na adolescência antes de entrar na indústria. Ambos ligados a homens mais velhos e sofisticados no auge da fama. Foi um projeto.
Mas à medida que a estrela de Marilyn subia, as comparações diretas desvaneciam. O espectro de Harlow não desapareceu. Apenas mudou de forma.
Sidney Skolsky sabia disso muito bem. Ele era um colunista que fez amizade com Marilyn quando ela ainda era uma estrela. Em meados da década de 1950, ele pressionou muito para que ela estrelasse um filme biográfico sobre a vida de Harlow.
Marilyn estava interessada. O roteiro da Twentieth Century-Fox era outra questão. Ela achou sensacionalista. Muito inútil. Ela viu algo mais escuro no material. Ela contou a seu agente e amigos uma frase que ainda ecoa.
“Espero que não façam isso comigo depois que eu partir.”
Ela estava certa em se preocupar. Skolsky continuou pressionando pelo projeto até o dia em que morreu. Ele alegou que tinha um encontro marcado com ela naquele domingo à tarde, às quatro. Logo depois de encontrarem o corpo dela. Para trabalhar em A História de Jean Harlow.
Isso nunca aconteceu.
As cinebiografias medíocres de Harlow finalmente chegaram em 1965. Carol Lynley desempenhou o papel em uma delas. Carroll Baker em outro. Nenhum deles carregou o peso da comparação original.
Niagara fez mais do que tornar Marilyn uma estrela de pleno direito. Isso a convidou para o panteão das lendas de Hollywood. Mas a nível pessoal, o filme significava algo completamente diferente.

Como Joe DiMaggio encontrou Marilyn Monroe em 1952
O romance começou no verão escaldante de 1952, bem no meio das filmagens. Mas a semente foi plantada meses antes, quando um amigo em comum preparou o cenário para um encontro que mudaria a história da cultura pop. Não foi um tropeço casual. Joe DiMaggio, já aposentado após a temporada de 1951, rastreou ativamente Marilyn Monroe. Seu método? Uma publicidade ainda mostrando ela com os jogadores do Chicago White Sox, Joe Dobson e Gus Zernial. Ele viu a foto e decidiu que queria conhecer a mulher por trás dela.
Marilyn não estava interessada. De forma alguma. Ela não tinha interesse em beisebol e nenhuma atração por atletas. Sua imagem mental de DiMaggio era uma caricatura: barulhenta, chamativa, cabelo penteado para trás com graxa. Ela esperava um atleta. O que ela recebeu foi um choque em seu sistema.
“Pensei que iria encontrar um sujeito barulhento e esportivo”, ela lembrou mais tarde. Em vez disso, ela ficou diante de um homem reservado de terno e gravata cinza. Havia sutis bolinhas azuis em sua gravata. Uma pitada de cinza em seu cabelo. Ele parecia menos uma lenda do esporte e mais um magnata do aço ou um congressista. O contraste era chocante.
Seu veredicto inicial? Pobre. Ela teria dito ao conhecido mútuo que os apresentou que DiMaggio havia “se dado mal”.
Mas DiMaggio não se deixou intimidar por uma única rejeição. Ele era de fala mansa, persistente e totalmente apaixonado. Ele ligou para ela repetidamente. Ele não recuou. Eventualmente, Marilyn cedeu. Eles começaram a namorar, apesar do óbvio atrito entre um tímido recluso e uma estrela de Hollywood que prosperou sob os holofotes.
A fase de lua de mel durou pouco. Os problemas começaram quase imediatamente. A questão central não era a personalidade; era a vida pública. DiMaggio odiava a imprensa. Ele evitou publicidade. A carreira de Marilyn foi construída sendo vista, nas câmeras, no barulho. Como eles poderiam fazer isso funcionar quando viam o mundo de maneiras tão opostas?
“Se não tivessem me dito que ele era algum tipo de jogador, eu teria adivinhado que ele era um magnata do aço ou um congressista.” – Marilyn Monroe
A dinâmica foi frágil desde o primeiro dia. O desejo de privacidade de DiMaggio colidiu violentamente com a necessidade profissional de Monroe de ser público.

O Choque de Mundos
Joe DiMaggio queria sair. Ele odiava a rotina de Hollywood, as lâmpadas piscando, todo o circo. Marilyn estava se afogando nisso. Ele tentou protegê-la do lado mais feio da indústria: os chefes de estúdio frios e calculistas, os amigos falsos circulando em busca de migalhas e a imprensa destruindo suas habilidades de atuação com cenas baratas. Mas ele não conseguia entender o amor dela por um negócio que ele considerava tão vil.
Depois houve Natasha Lytess. DiMaggio a odiava. Lytess achava que Marilyn merecia algo melhor do que um jogador de beisebol aposentado. DiMaggio se ressentia do controle de Lytess sobre sua vida. À medida que o romance esquentava, Marilyn e seu treinador de voz se separaram. Passou do pessoal para o estritamente profissional.
Seu poder estelar estava explodindo. Quando eles se conheceram, ela estava presa em papéis menores na Fox. Por Niagara, ela era o novo nome mais popular de Hollywood. A máquina de publicidade ganhou vida. Marilyn teve que aparecer. O líder da banda Ray Anthony apresentou uma música chamada “Milyn” para capitalizar o hype.
Ela chegou a uma festa à beira da piscina na casa de Anthony de helicóptero. Vestido vermelho. Estilo Niágara. Mickey Rooney e Anthony apresentaram a música para ela. Foi uma façanha. Não foi um sucesso. As letras? “Nenhuma garota, eu acredito, começando por Eve, poderia tecer um fascínio como a minha Mari-lyn.” Digno de arrepiar. Nunca chegou aos dez primeiros. Lixo de novidade.
Um mês depois, ela foi Grande Marechal do desfile Miss América de 1952. Vestido de verão decotado. Os fotógrafos enlouqueceram. Um subiu em uma cadeira para ter uma visão completa. Um oficial de informação do Exército viu o tiro e o matou. Ele não queria que os pais de potenciais recrutas vissem a vida no Exército através dessas lentes. Impressão errada. O vazamento chegou à primeira página.

A imprensa, o físico e o preço da fama
“Estou muito surpreso e muito magoado. Não tinha conhecimento de nenhum decote questionável de minha parte. Notei pessoas olhando para mim o dia todo, mas pensei que estivessem admirando meu distintivo de Grande Marechal!”
Foi irônico. Tinha que ser. Mas essa piada, mais tarde transformada pelos repórteres na manchete “Mallyn ferida por Blushoff do Exército”, capturou a exaustiva realidade de ser Marilyn Monroe em meados da década de 1950. Os holofotes constantes em seu corpo não eram apenas ruídos de fundo. Foi um ponto de atrito. Um verdadeiro.
Joe DiMaggio assistiu isso acontecer. E ele não gostou do que viu.
O foco implacável da mídia nos atributos físicos de Marilyn tornou-se um ponto sensível à medida que o romance deles se aprofundava. É fácil presumir que o comportamento conservador e a dignidade tranquila de Joe tornaram difícil para ele tolerar a discussão aberta sobre a sexualidade de Marilyn. Ele era um homem da velha escola. Reservado. Privado. Ver sua esposa tratada como um espetáculo deve tê-lo irritado.
Mas há outra camada nessa raiva.
Consideremos como o próprio DiMaggio era visto. Ele era uma celebridade popular e amada. Ele havia sobrevivido à imprensa desde o início de sua lendária carreira no beisebol. No entanto, a natureza da atenção era completamente diferente. Quando os repórteres cobriram Joe, cobriram suas estatísticas. Seu poder. Sua graça sob pressão. Eles respeitaram o atleta.
Marilyn foi tratada de forma diferente. Muitas vezes de forma condescendente. Às vezes maliciosamente. A imprensa não apenas a observou; eles a dissecaram. Eles reduziram um artista a uma coleção de curvas e a um arquétipo de “loira bombástica”. DiMaggio sabia a diferença entre admiração e objetificação. Ele se sentiu protetor. Frustrado. Talvez até com vergonha de que o homem que todos idolatravam fosse casado com uma mulher que o público parecia ver como uma caricatura.
Sua infelicidade mudou o tom da cobertura?
Não. Não aconteceu.
Na verdade, aconteceu o contrário. Após o lançamento de Niagara, as histórias não pararam. Eles se multiplicaram. O número de artigos sobre a sexualidade de Marilyn – tanto na tela quanto fora dela – aumentou constantemente. A mídia encontrou um ritmo. Uma fórmula. E eles continuaram jogando.
O sofrimento silencioso de DiMaggio não alterou em nada a máquina narrativa. A imprensa não estava interessada na harmonia conjugal. Eles estavam interessados em volume.
No entanto, aqui está a estranha ironia da fama. Todo aquele barulho, todo aquele escrutínio invasivo, toda aquela ênfase no físico… funcionou. Empurrou portas abertas. A publicidade ajudou Marilyn a conseguir os papéis no cinema que procurava. O que deixou Joe louco foi o combustível para sua trajetória profissional.
Próximo: Cavalheiros preferem loiras.
















