додому Últimas notícias e artigos Queimar plástico não é apenas lixo. É jantar.

Queimar plástico não é apenas lixo. É jantar.

A maioria das pessoas joga fora o plástico. Outros queimam.

Novos dados revelam uma realidade sombria com a qual milhões de pessoas vivem todos os dias, uma realidade que permanece escondida atrás de portas fechadas e de instintos de sobrevivência tácitos. Um estudo liderado por pesquisadores da Curtin University, publicado na Nature Communications, sugere que essa prática é muito mais comum do que pensávamos. Não apenas como método de descarte, mas como verdadeira fonte de energia.

Eles entrevistaram mais de 1.000 pessoas. Funcionários do governo, pesquisadores, líderes comunitários. Distribuídos por 26 países em desenvolvimento.

Os números bateram forte. Um em cada três entrevistados relatou ter visto famílias queimando plástico. Muitos assistiram a isso acontecer logo ao lado. Alguns até fizeram isso sozinhos.

Combustível por Necessidade

Bishal Bharadhazj, do Curtin Institute for Energy Transiton, chamou esta de a primeira visão ampla de um problema que todos ignoram até queimar os pulmões de alguém.

“Quando as famílias não podem comprar combustíveis mais limpos… o plástico torna-se um incômodo e uma fonte de energia de último recurso.”

Não se trata de conveniência. Trata-se de cozinhar. Aquecimento. Manter os insetos afastados quando a eletricidade é cortada e a carteira está vazia. Eles queimam sacos, embalagens, garrafas, embalagens. Tudo.

O problema permanece oculto. Por que? Porque isso acontece em bairros marginalizados onde os olhos se voltam para dentro para sobreviver, e não para fora em busca de aprovação global. Escapa ao ciclo de notícias apesar dos riscos serem suficientemente graves para encerrar um quarteirão da cidade.

Fumaça na cozinha

Como eles fazem isso?

Incêndios de três pedras. Fogões a carvão. Queimadores improvisados ​​encontrados em becos ou quintais lotados. O resultado é uma fumaça tóxica que não tem para onde ir, a não ser para os pulmões das pessoas que tentam se manter aquecidas.

Quem paga o preço? Mulheres, crianças, idosos e pessoas com deficiência. Eles respiram o que os outros escapam.

O professor Hari Vuthaluru apontou um vilão específico aqui. PVC. Cloreto de polivinila.

Queime PVC e você obterá dioxinas. Furanos. Poluentes tão perigosos que permanecem no meio ambiente muito depois de o fogo acabar. Eles se acumulam na cadeia alimentar. Câncer. Danos imunológicos. Distúrbios reprodutivos.

O PVC é o terceiro plástico mais queimado.

Imagine acender seu fogão com um coquetel químico.

Comida, Água, Veneno

O perigo não para com a fumaça. Afunda.

O Dr. Pramesh Dhunganda observou que 60 por cento dos participantes da pesquisa acreditavam que a contaminação era extremamente provável. E eles estão certos.

Os compostos tóxicos não flutuam. Eles se estabelecem nas colheitas. Eles penetram em amostras de solo e fontes de água próximas aos locais de queima. Ovos testados nas proximidades mostraram sinais de contaminação. O veneno penetra exatamente nas coisas em que as pessoas dependem para viver, criando uma crise que opera nas sombras.

Sem soluções fáceis

A professora Peta Ashworth insiste que não podemos simplesmente dizer às pessoas para pararem.

Você não proíbe o fogo simplesmente quando é o único aquecimento que uma família tem.

As causas profundas são estruturais: pobreza energética extrema. Preços de combustíveis limpos que parecem extorsão. Serviços de coleta de lixo que nunca chegam. A produção de plástico deverá triplicar até 2060, de modo que a pilha só aumentará.

Precisamos de soluções que realmente funcionem no terreno. Melhor saneamento. Energia de cozimento acessível. Opções que fazem sentido culturalmente.

“É essencial que as soluções… incluam trabalhar com as comunidades em opções práticas e culturalmente relevantes.”

Esta pesquisa nos dá a evidência. Mas as evidências não compensam fogões mais limpos. Não reduz os custos de combustível.

O fogo continua queimando. A questão é se continuamos a desviar o olhar ou finalmente admitimos que a fumaça que sai da cozinha de alguém não é apenas lixo.

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