As plantas comem a luz solar. Nós olhamos para ele. E se os dois não fossem mutuamente exclusivos?
Uma equipe da Universidade Nacional de Cingapura diz ter encontrado um caminho. Eles retiraram as entranhas fotossintéticas das folhas de espinafre. Especificamente, eles extraíram tilacoides – aquelas minúsculas pilhas de membranas onde os cloroplastos fazem seu trabalho pesado. Então eles os jogaram direto nas células do olho humano. No laboratório. E nos olhos dos ratos.
Os ratos foram projetados para sofrer de doença do olho seco. Uma condição dolorosa e difícil que afeta mais de um bilhão de pessoas. Geralmente tratado com Restasis, que custa um braço e uma perna e faz seus olhos arderem ainda mais antes de melhorarem. Não é um favorito dos fãs.
Mas isso? Isso funciona.
Quando expostas à luz interna normal, as nanopartículas de espinafre começaram a funcionar. Eles começaram a produzir NADPH. Pense nisso como uma bateria biológica. Ou melhor ainda, um escudo.
“Nós também podemos ter habilidades limitadas de fotossíntese.”
— Xing Kuoran, engenheiro biomolecular da NUS
Essa frase deve parar você no meio do caminho. Estamos pegando máquinas projetadas para produzir alimentos a partir do ar e da luz e usando-as para combater a inflamação. Como?
Olhos secos criam estresse. Esse estresse produz espécies reativas de oxigênio. Lixo tóxico que danifica os tecidos. As partículas de espinafre, quando iluminadas por qualquer luz ambiente que esteja refletindo nas paredes, convertem esse lixo de volta à ordem. Dentro de trinta minutos. Eles mudaram as células imunológicas de um estado de ataque para o modo de proteção.
E não foi apenas um truque da placa de Petri. Eles o testaram em fluido lacrimal retirado de pacientes reais com olhos secos.
Os resultados? Uma queda de 95% no peróxido de hidrogênio. Uma eliminação quase total de oxidantes prejudiciais. O fluido parou de atacar o olho. Apenas… curado.
A tecnologia é chamada LEAF. Fundição de tilaco NADPH enriquecida com reação à luz. Cativante. Científico. Preciso.
Nos testes com ratos, o LEAF venceu o Restasis. O padrão de atendimento foi destruído por algumas folhas. O tratamento durou apenas algumas horas. As partículas degradam-se. Mas isso não importou para a janela de teste. Gotas duas vezes ao dia durante cinco dias produziram melhores resultados do que o medicamento caro e cheio de efeitos colaterais.
Isso é mágico?
Mais ou menos. Mas o mecanismo é sólido. O espinafre foi colhido porque é barato. Produz grandes quantidades de cloroplastos. E extrair a biomaquinaria é mais fácil do que com quase qualquer outra planta. É prático. É chato, até.
Essa é uma boa notícia para tradução para clínicas.
Não há dispositivos necessários. Sem lâmpadas UV especiais. Apenas a luz que permite que você leia isso.
Mas espere. As partículas se decompõem. Então você está pensando em repetir a dosagem. Talvez várias vezes ao dia. Isso é viável? Teremos que esperar pelos ensaios clínicos, que já estão preparados. Os autores estão ansiosos.
“É quase surreal pensar em um futuro onde as células humanas possam ter alguma forma benéfica de fotossíntese não apenas nos olhos, mas também em outros lugares.”
Leong não está pensando apenas em olhos secos. Condições inflamatórias em qualquer lugar. Qualquer lugar que a luz possa tocar. Talvez sua pele? Talvez em outro lugar?
As implicações são amplamente abertas. A ciência é rigorosa. O fato de colocarmos cloroplastos vegetais em nossos corpos sem primeiro digeri-los? Isso parece ficção científica.
Até terça-feira, eu acho.
