A história e a mecânica da leitura de cartas de tarô

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Tudo começa com um baralho. Não apenas qualquer baralho. Estamos falando do tarô, aqueles conjuntos de 78 cartas que deixaram de ser jogos de azar obscuros e se tornaram a peça central dos rituais modernos de leitura da sorte. As origens são obscuras. Você não encontrará uma linhagem clara. Cartas semelhantes ao tarô moderno apareceram pela primeira vez na Itália e na França no final do século XIV. Eles estavam apenas jogando cartas naquela época. Diversões simples para os ricos.

Então as coisas mudaram.

O deck moderno é estruturado com precisão. Possui 78 cartas no total. Vinte e dois deles são os Arcanos Maiores. Estes apresentam imagens que representam forças, personagens, virtudes e vícios. Pense na Torre ou no Louco. Eles carregam um grande peso simbólico. As outras 56 cartas são divididas em quatro naipes. Nós os conhecemos como:

  • Varinhas (ou bastões/varas)
  • Copos
  • Espadas
  • Moedas (ou pentáculos/discos)

Cada naipe contém 14 cartas. Existem dez cartas numeradas e quatro cartas de corte em cada naipe. Rei, rainha, cavaleiro e pajem. Essa estrutura é a base. Foi também assim que as cartas de baralho modernas evoluíram. As cartas de naipe do tarô tornaram-se a base para os baralhos padrão de 52 cartas que usamos hoje no pôquer ou no bridge.

Mas a mudança do jogo para a ferramenta espiritual aconteceu muito mais tarde.

Durante séculos, foram apenas cartas. Então veio o século XVIII. Associações esotéricas aderiram aos baralhos. Os ocultistas começaram a atribuir significados às imagens. As cartas não serviam mais apenas para ganhar dinheiro. Eles se tornaram ferramentas de adivinhação. Foi assim que o tarô se tornou um método de leitura da sorte.

Hoje, quando você se senta para fazer uma leitura, o contexto importa tanto quanto a própria carta. Uma única carta não tem um significado fixo e universal. Isso muda.

O significado básico de uma carta de tarô é alterado por três fatores principais. Primeiro, a posição no spread. O local onde a carta cai em relação às outras determina seu papel na narrativa. Em segundo lugar, orientação. O cartão está na vertical ou invertido? Isso inverte a interpretação. Terceiro, as cartas circundantes. Os vizinhos fornecem contexto. Uma carta “ruim” ao lado de uma “boa” pode ser mitigada. Uma carta “boa” próxima a uma carta negativa pode ser bloqueada.

O significado básico de cada carta é alterado pela posição da carta na distribuição de cartas dispostas pelo adivinho, pela orientação da carta e pelas cartas que estão próximas dela.

É por isso que dois leitores podem fornecer leituras diferentes. Eles estão interpretando os mesmos símbolos em contextos diferentes. O baralho não fala em absolutos. Fala nos relacionamentos.

Ainda usamos os mesmos ternos. Varinhas para a paixão, taças para a emoção, espadas para o intelecto, moedas para a realidade material. Os Arcanos Maiores ainda rastreiam jornadas arquetípicas. A estrutura permanece intacta desde o século XIV. Mas a intenção se transformou. Do jogo à autorreflexão. Do acaso à interpretação.

As cartas não mentem. Eles apenas esperam que você faça as perguntas certas. E mesmo assim, a resposta depende de como você os organiza.